A dor de não fazer falta
- Josiane Lyrio
- 30 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Já aconteceu com você de decidir se afastar... e sentir aquela fisgada silenciosa de que ninguém notou a sua ausência? A dor de sumir... e não fazer falta.
É uma ferida quieta, quase invisível, que nasce ao perceber que a sua ausência não abriu um buraco, não desarrumou um fio de cabelo. É como se você tivesse saído de cena... e o espetáculo tivesse continuado normalmente. Dói demais, não é?
No fundo, o que desejamos é ser insubstituíveis.
Mas a sensação que fica é a de ter sido facilmente esquecida.
Daí o silêncio corta por dentro.
E aí, sem perceber, a gente começa a rebobinar a fita da memória. Lembra do quanto se doou, de quantas vezes esteve presente, disponível, incansável. Quantas tentativas, esforços e até sacrifícios foram feitos para manter o outro bem, para salvar o que parecia se perder.
No fundo, havia uma esperança: de que ao se afastar, o outro finalmente cairia em si e sentiria sua falta. Mas o que veio foi um silêncio absoluto. E esse silêncio grita por dentro: “Será que eu nunca fui importante? Como ele conseguiu seguir tão fácil assim?”
É que você se esqueceu de si mesma
Mas... e se o problema não for o outro não sentir a sua falta? E se a ferida mais profunda estiver no fato de você ter se esquecido de si mesma primeiro?
Pense comigo: quando um móvel permanece sempre no mesmo lugar da sala, chega uma hora em que ele se torna invisível. Você passa por ele todos os dias... mas já não o enxerga.
Nos relacionamentos, acontece algo parecido. Quando nos tornamos previsíveis, sempre disponíveis, nossa presença vira cenário. Deixamos de ser presença viva para ser pano de fundo.
E aí está a chave: a ausência que realmente transforma não é a física. É a ausência daquela versão sua que colocava o outro acima de tudo — até de si mesma.
Você tem o poder de se reinventar
O pior que você pode fazer nesse momento é se desgastar tentando reaparecer. Mandar mensagens insistentes. Provocar ciúmes. Provar, a qualquer custo, que ainda importa.
Mas quanto mais você força, menos valor transmite. E o resultado é ainda mais rejeição... ainda mais dor. Até que você começa a duvidar do seu próprio valor.
O verdadeiro poder nasce quando você decide parar de esperar ser lembrada...e começa a se reinventar.
É o dia em que você troca a ansiedade de esperar uma mensagem... pela paz de realizar algo que sempre sonhou. Troca o tempo gasto observando a vida do outro... por momentos de autocuidado. E, quase como mágica, algo muda.
Você deixa de brilhar apenas com a luz refletida do outro... e acende a sua própria chama.
Quem te ignorou vai perceber, sim. Mas não pela sua falta. Vai perceber pela sua nova luz.
Não mais carência. Agora, referência.
Você deixa de ser carência para se tornar referência. E se um dia o outro voltar? Que seja por amor, por escolha.
Porque você não aceita mais voltar por necessidade.









Comentários