Divórcio Silencioso
- Josiane Lyrio
- há 1 dia
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No crepúsculo da cozinha, se sentam à mesa,
talheres tilintando como ecos de um amor que se foi.

Olhares perdidos em pratos frios,
o silêncio cai pesado, mais alto que qualquer grito.
Casados no papel, dividem teto e rotina,
mas o coração já partiu sem alarde.
Desconexão lenta, como névoa que invade a alma: palavras mínimas, toques ausentes,
vidas paralelas em órbitas solitárias.
A indiferença floresce onde outrora havia fogo, projetos comuns murcham como folhas ao outono.
O divórcio silencioso não berra, apenas sussurra o fim, no vazio entre dois corpos que já não se buscam.
Mas numa noite qualquer, Ana rompe o véu:
“Ainda nos vemos, de verdade?”
E no diálogo trêmulo, sincero e claro,
buscam terapia, palavras guardadas, faíscas antigas.
Se o amor ainda pulsa, com respeito e lealdade,
fidelidade e romantismo renascidos,
ele volta mais forte, como casal que se reinventa.
Se já resta só cinza, a alma encontra forças
para se reerguer, sozinha, ao amanhecer da própria luz.
Pois o silêncio pode ser fim ou ponte:
o coração, partido ou unido, sempre aprende a voar.









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